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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Exemplo a ser seguido.



Todos sabem da minha opinião sobre quando alguém diz que existe uma Escola Cervejeira Americana, não concordo com isso, não existe. Mas, então devemos ignorar o que acontece nos EUA, no que diz respeito a cerveja e cultura cervejeira?
Não, de jeito nenhum. Se no mundo todo a cerveja artesanal cresce, devemos a isso aos americanos que desde os anos 70 vem trabalhando na divulgação da boa cerveja, os pilares são: produtos excelentes aliados à uma forma diferente de marketing, voltado a educação, apresentação e conscientização do consumidor.
O cenário cervejeiro americano no final dos anos 70 era muito parecido com o nosso atualmente, grandes cervejarias dominavam o mercado com produtos sem aroma, sem sabor, barato, mas alguns pequenos produtores começaram a fazer cervejas com personalidade, neste começo, as inspirações eram das escolas inglesa e alemã, mas eles tinham dificuldade em colocá-las no mercado foi então que eles tomaram a atitude de falar ao consumidor o que a cerveja deles tinham de bom, quem assistiu a palestra do Pete na Argentina viu ele contando esta batalha inicial, nos EUA temos grandes especialistas e estudiosos de cerveja, livros traduzidos e publicados, escolas, organizações, associações, revistas, programas de televisão, sempre voltado a facilitar a educação do consumidor e do produtor, preciso citar uma pessoa, pra mim o gênio da cerveja americana Randy Mosher, tudo o que ele diz é ensinamento.
Depois que aprenderam fazer bem o arroz com feijão eles começaram a ousar, barris de carvalho, fermentação espontânea, frutas, etc. Mas vejamos as cervejarias e os cervejeiros que sobreviveram dos anos 80 e 90 até hoje, todos eles conhecem profundamente as escolas inglesa, alemã e belga, não lendo os guias de estilos, mas indo visitar o local de origem dos estilos, vendo como esta sendo feito hoje, comparando com o passado, conversando com historiadores, cervejeiros locais, ou seja, imergindo na cultura cervejeira destes países, daí com uma técnica apurada eles conseguem dar alma ao produto, guias de estilos servem apenas pra alguma consulta rápida, é impossível fazer boa cerveja lendo um guia de estilo.
Atualmente o mercado de cerveja artesanal nos EUA é de 6%, aqui no Brasil é algo em torno de 0,2%, além disso, eles tem 2 grandes fornecedores de levedura, que fornecem fermento pra você fazer qualquer estilo de cerveja que você queira, eles tem várias opções de fornecimento de maltes, mas o grande diferencial fica com o lúpulo, eles plantam seus lúpulos, utilizando-os frescos em boa forma, conseguem comprar equipamentos de qualidade, barris de madeira de vários tipos, por tudo isso eles conseguiram construir um mercado forte que cresce todo ano, diferente do que acontece na Inglaterra e Alemanha, onde cai todo ano, já na Bélgica, primeiro país europeu influenciado pelos americanos, eles conseguiram reverter a situação e parou a queda de consumo de cerveja neste país.
Vejo uma forte tendência na Inglaterra e na Alemanha em inspirarem-se nos EUA e Bélgica no que diz respeito a apresentação e marketing das cervejas, tenho certeza que esta seria a melhor saída deles pra recuperarem seus consumidores.

Então, não é demérito para os americanos dizer que eles não são uma escola cervejeira, pois se no mundo todo mais pessoas estão bebendo cervejas produzidas por pequenos produtores isso nós devemos a eles que ressuscitaram este mercado de cervejas especiais.
Devemos nos libertar dos preconceitos, lutar pela inserção da boa cerveja no mercado, tentar buscar novos consumidores, estamos 30 anos atrasados na cerveja, nosso caminho é longo ainda, precisamos aprender a fazer cerveja, aprender a vende-la, pra no futuro quem sabe chegarmos a 1% do mercado nacional.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Escola Cervejeira.

Como podemos definir o que é uma escola cervejeira?

Bom, a meu modo de ver, entendo que podemos considerar a Alemanha, Inglaterra e Bélgica como escolas cervejeiras. São países que nos mostraram metodologias diferentes de produzir cerveja, tanto no processo de produção, bem como nos ingredientes utilizados, mudaram a cerveja, ou trouxeram algo de novo para o mercado, mudando até a cultura local, fazendo ainda, até que outros países começassem a copiá-los, determinando novos estilos de cerveja. Vamos olhar mais de perto as escolas cervejeiras.

Na Alemanha, desde antes de saber que o fermento existia, lá já se produzia cerveja de baixa fermentação, além disso, tivemos a Lei de Pureza, onde os ingredientes foram limitados a água, malte e lúpulo, por isso, de modo geral, podemos dizer que as cervejas Alemãs são lagers, com longo tempo de maturação, teor alcoólico variando de 4,5% a 8,0%, eles ainda nos ensinaram as decocções e mais recentemente as rampas de infusão.

Na Inglaterra, por terem sido talvez o primeiro país do mundo a ganhar muito dinheiro com cerveja, antes do Séc. XIX, eles são os reis das Ales, cervejas de alta fermentação, pois era assim que fermentava cerveja naquela época, utilizam uma quantidade de lúpulo generosa, onde ele ainda é ressaltado pela água dura, tradicionalmente, praticam uma única temperatura na mostura, processo este chamado de infusão, as cervejas possuem carbonatação baixa e em geral são fabricadas com água, malte, lúpulo, fermento e até 15% de açúcares, este último opcional.
Já a Bélgica podemos dizer que é o caçula das escolas cervejeiras, ganhando força depois da década de 70, trouxeram novos ingredientes pro cenário cervejeiro, como, semente de coentro, casca de laranja, aniz, canela e vários outros, são cervejas de alta fermentação, teor alcoólico variando de 6,0% a 10,0%, misturam as técnicas de produção e as matérias-primas Alemã e Inglesa, mas podemos dizer que a grande contribuição dos Belgas foram os novos e diversos ingredientes.

Mas e nós brasileiros? Basicamente as cervejarias pequenas usam processo de fabricação alemão, com as rampas de infusão e receitas modificadas, ou não, destas três escolas, já nos Estados Unidos, eles misturam técnicas de produção da Alemanha e da Inglaterra, bem como as receitas, só que utilizam uma quantidade muito grande de lúpulo americano, característica fundamental das cervejas deste país, desta mesma forma acontece em outros países, portanto com o cenário que temos hoje, na minha opinião, não podemos dizer que temos uma escola americana de cerveja ou ainda, uma escola brasileira de cerveja, a não ser que a escola brasileira seja o que as grandes estão fazendo, cerveja em 5 dias e quase sem matéria-prima, mas isto não nos orgulha, então vamos deixar passar. Quem sabe num futuro, nós pequenos produtores, inventemos novos processos, ou ainda, teremos nossas próprias matérias-primas produzidas no Brasil e poderemos ter nossa escola cervejeira.
O mais importante é que graças a estas três escolas cervejeira, temos hoje mais de 120 estilos de cerveja no mundo todo.