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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Os "Camisa 12" da Bamberg

Quando faço uma receita tenho em mente como eu gostaria que ela ficasse, normalmente ela sai bem próxima, daí apenas alguns ajustes ou não.

O que não tem como mensurar com antecedência é a aceitação, mas justamente isso vem me espantando. Desde a Die Wiesn, setembro de 2011, venho lançando algumas cervejas sazonais, Kölsch, Maibaum e Bambergerator, apenas a Camila Camila que entrou em linha neste tempo, as cervejas estão se esgotando em no máximo 15 dias.

Agora façamos uma reflexão no caso mais extremo que aconteceu, a Bambergerator, quando comecei a divulgar o cozimento dela, isto é, nem cerveja tínhamos ainda, as pessoas começaram a encomendar, no dia que a envasei, isso 3 meses depois do cozimento, ela já estava totalmente vendida, todo mundo encomendou antes mesmo da cerveja ficar pronta.

Vejo isso como uma confiança que vocês depositam no trabalho da Bamberg, comprar um produto sem saber o resultado final. É muito bom ganhar medalhas em competições internacionais, mas o sucesso da Bambergerator é igual receber uma medalha no European Beer Star. Graças a esta confiança de vocês eu posso cada vez mais trazer novos estilos de cervejas, este ano produziremos 6 cervejas sazonais, mais as 8 que temos em linha, a ideia é ter em 2013 pelo menos 9 sazonais e em 2014 ter uma sazonal para cada mês do ano.

Em 2011 fiz 1000L de Bambergerator, não sobrou para garrafa, foi vendido tudo em chope, este ano fiz o dobro, muita gente ficou sem, inclusive alguns distribuidores nosso, em agosto iremos lançar a Doppelsticke, e por incrível que pareça já tem gente encomendando.

O que eu tenho que fazer é agradecer a confiança que vocês depositam na Bamberg, falo sempre que a Bamberg trabalha em time, mas tenho certeza que na arquibancada temos uma torcida grande que esta sempre conosco, seja na compra direta da cerveja, mas também opinando nos rótulos, nos estilos que faço, na obra de ampliação, nos novos equipamentos, ou seja, se somos em 11 aqui dentro da fabrica, considero vocês como nosso 12° integrante.

Prometo melhorar constantemente nossas cervejas e sempre trazer novidades pra você. Obrigado nação Bambergeriana.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Bamberg Kölsch - parte 1.



Nos dois primeiros anos da Bamberg nós tínhamos a nossa Kölsch, depois parei de fazer, não sei explicar o porquê, mas desde o ano passado estava com vontade de fazê-la novamente.
A receita antiga tinha perdido, não sou muito apegado as receitas, prefiro guardar na cabeça as características da cerveja, daí fica fácil fazer novamente, mesmo sem ter  os números anterior.
A cidade de Colônia tem um dos Carnavais mais importante do mundo, com desfile de rua, batucada, gente fantasiada, claro que tudo isso com a temperatura abaixo de 5°C, foi então que surgiu a idéia de fazer a cerveja de Colônia no período do Carnaval. Além deste fato, a Kölsch é uma cerveja ideal para ser bebida no calor, se a festa pagã deles é no inverno, a nossa é no verão e a cerveja irá nos refrescar e muito.
Já experimentei o Carnaval de Colônia e todas as Kölsch fabricadas dentro da cidade, muitas delas são bastante comercial, quase como as lagers fabricada pelas grandes cervejarias, mas algumas ainda mantém a cerveja como no passado, corpo leve, pouco frutado, malte sutil e lúpulo perceptível, uma cerveja única.
Devemos lembrar que a 50 km de Colônia esta Dusseldorf, conhecida pela Altbier, podemos dizer que a Kölsch, a grosso modo, é uma versão clara da Altbier, por isso, suas características são mais sutis. As duas cidades alimentam uma rivalidade, Dusseldorf no passado pertencia a Colônia, hoje são duas grandes cidades, mas é impossível que uma cervejaria em Colônia produza a Altbier e uma cervejaria em Dusseldorf produza a Kölsch, a rivalidade chegou até na cerveja.
Já havia escrito um pouco sobre esta rivalidade:
Para fazer a Bamberg Kölsch eu me inspirei nas pequenas cervejarias de Colônia,depois de experimentá-las in loco, busquei na literatura a Kölsch tradicional e daí procurei interpretar o estilo. A cerveja ainda esta maturando, mas já posso adiantar que ela ficou excelente.
Na semana que vem eu vou falar mais sobre a Bamberg Kölsch, as características sensoriais dela e apresentar o novo rótulo que esta muito legal.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Altbier X Kölsch


A escola alemã cervejeira é conhecida por lagers, cervejas de baixa fermentação, porém, temos fantásticas Ale nesta escola, cervejas de alta fermentação bastante singulares, duas delas são Altbier e Kölsch.

Nas cidades de Dusseldorf e Colônia (Köln), no centro oeste da Alemanha, elas mantêm a tradição de fazer cervejas de alta fermentação, hoje, ambas são grandes cidades, mas a primeira a se destacar com a cerveja foi Colônia, a muitos séculos atrás, nesta época Dusseldorf pertencia a Colônia, mas ela foi ganhando força política e financeira e transformou-se em cidade. Ambas são banhadas pelo Rio Reno.

Piada que o pessoal de Dusseldorf faz.

Em Colônia a cerveja é de alta fermentação, leve, com uma lupulagem marcante mas não exagerada, fácil de beber e normalmente leva até 10% de malte de trigo na formulação, fazendo com que a espuma seja muito persistente, esta cerveja é a Kölsch, é uma palavra que designa o que é de Köln. Esta cerveja tem denominação de origem protegida e apenas os produtores que pertencem a cidade pode chamar sua cerveja de Kölsch.

A 50 km de distância temos a cidade de Dusseldorf, também banhada pelo Rio Reno, onde a cerveja é de alta fermentação, vermelha, com alta lupulagem, final seco, pode conter até 10% de malte de trigo na fórmula, mas isso não é comum, esta é a Altbier, que significa cerveja velha, no sentido de antiga, pois ela é fabricada no método antigo de alta fermentação.

Fora de Dusseldorf, mas ainda na região do Rio Reno, a Altbier muda um pouco, a lupulagem diminui e o malte aparece mais que as da cidade, por isso não tendo um final tão seco.

A Altbier quase desapareceu do mundo no passado recente, com febre das lagers claras seu consumo caiu muito e as cervejarias ficaram em situação difíceis, mas sorte nossa eles mantiveram esta tradição e hoje eles estão retomando aos pouco seu lugar de direito. Fora de Dusseldorf existem pouquíssimas microcervejarias espalhadas pelo mundo produzindo Altbier, aqui no Brasil apenas a Bamberg e a Abadessa produzem este estilo.

Eu particularmente, me empolgo muito em produzir esta cerveja, pois a história dela é fantástica e através da cerveja podemos contar isso a quem bebe. A Bamberg Altbier é uma cerveja sazonal, mas tentarei deixa-la em linha este ano, esta semana esta chegando no mercado a Bamberg Altbier 2011.

Abaixo segue a minha avaliação sensorial da cerveja.

Bamberg Altbier 2011

Visual: Cerveja vermelha, cristalina, com espuma consistente;

Aroma: O lúpulo aparece floral, cítrico e herbal, mas também percebemos o malte, com biscoito, caramelo, cereal e o fermento de forma sutil com o frutado, frutas vermelhas, pitanga;

Sabor: O primeiro gosto que vem é o amargo do lúpulo, quando o “doce” do malte e o frutado do fermento tentam equilibrar, aparece novamente o amargor do lúpulo finalizando seco;

Sensação na boca: Final seco, carbonatação média-baixa, leve adstringência, bem refrescante.

Comentário geral: Tentei reproduzir o máximo possível as Altbier de Dusseldorf, pra isso trouxemos uma cepa especial de fermento originária desta cidade, o malte vem da cidade de Bamberg e os 3 lúpulos da Bavária, a cerveja deve ser bebida entre 5ºC a 8ºC, ela harmoniza com pratos apimentados, por exemplo, culinária mexicana, indiana; pratos gordurosos, como feijoada, mas também churrasco, carnes em geral.

A Altbier 2011 será vendida em garrafa de 355mL, 600mL e chope, o preço é o mesmo da Rauch, Schwarz, Munchen, Helles e Weizen.