sábado, 25 de setembro de 2010

De Bamberg a Votorantim - Programa 4

Pra quem não escutou ao vivo ontem, segue o link do quarto programa De Bamberg a Votorantim, o tema abordado desta vez foi estilos de cerveja.
CLIQUE AQUI PRA OUVIR. 

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Lição para os cervejeiros: Padaria Real.

Algumas vezes temos dificuldade em traduzir o que é uma cervejaria artesanal, então achei que seria legal colocar como exemplo a Baguete Tradition da Padaria Real.


Pra quem não conhece a Real, em Sorocaba, esta perdendo, é o nosso principal ponto turístico, tem a melhor coxinha do Brasil e os melhores pães, claro que esta é minha opinião, não sou especialista em pães, mas quem conhece sabe que não estou exagerando, a Baguete Tradition nos da duas lições, o que é ser artesanal e que simplicidade pode gerar complexidade.

A Baguete Tradition segue rigorosamente uma sequência de preparo, com três fermentações naturais.

É um produto que o padeiro tem que respeitar o tempo dele e deve ser assado, obrigatoriamente, em forno à lenha e direto no lastro do forno.

Esta baguete é reconhecida na França desde 1993 pelo “decreto pão” que tinha como objetivo dar um estimulo as padarias artesanais que estavam sofrendo com a concorrência desleal das grandes fábricas de pão, parece que já escutei isso em outro segmento de mercado.

E você deve estar se perguntando, o que a cerveja tem a ver com isso?

É possível crescer sem perder a qualidade, desde que você mantenha a ideologia, o artesanal é uma ideologia a ser seguida, o que é qualidade pra nós artesãos, não é pra uma grande cervejaria ou indústria do pão, o que importa para nós é resgatar a tradição, o que teremos de aromas e sabores no final, já pra indústria, o que importa é fazer sempre a mesma coisa com o menor custo, pra Padaria Real, certamente não interessa se a baguete esta com um formato irregular, com as bolhas interna de tamanhos diferentes, aparentando rusticidade, o que importa é o sabor fantástico que ela tem, já pra grande industria de pães o que significa qualidade é fazer o pão sempre do mesmo tamanho, com a mesma largura das fatias, e bolhas interna uniformes e com o menor preço possível.

Mas lembre, nem todo pequeno produtor preocupa-se com o alto padrão, a maioria tenta copiar o que uma grande indústria faz, mas sem ter a tecnologia deles, por isso encontramos um monte de “pão de vento” no mercado e um monte de água amarela com gás feita por pequenas cervejarias.

A outra lição que a baguete nos da é que com poucos ingredientes é possível fazer um produto altamente complexo, e pra fazer cerveja é a mesma coisa, não necessitamos fazer uma cerveja com 15% de álcool, 200 IBU e marrom, pra termos complexidade, às vezes uma Pilsen bem feita tem complexidade maior que as Extreme Beer.

E a Baguete Tradition da Padaria Real harmoniza com qual cerveja? Com qualquer uma, às vezes como ela pura, sem recheio, é boa de qualquer jeito.

Só pra constar, este texto não é um Jabá pra Padaria Real, eles nem precisam disso, e não escondo de ninguém que sou fã deles, o que temos de bom devemos falar.

Parabéns a todos que ajudaram a elaborar esta obra de arte que é a Baguete Tradition, principalmente ou Joel que literalmente põe a mão na massa e ao Carlos que a cada dia esta trazendo novidades e estudando pra nos brindar com essas maravilhas.

sábado, 18 de setembro de 2010

De Bamberg à Votorantim - Audio do 3º Programa.

Ontem foi ao ar o terceiro programa De Bamberg a Votorantim, o assunto foi Escolas Cervejeiras.

Enquanto nosso logo pro programa esta sendo criado, já disse isso no post do segundo programa, a repetição da frase é só pro criador ficar esperto, pra ouvir você clica aqui.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Helles com risoto de Brie e damasco e pato na laranjal.

Pra comemorar o lançamento da Helles em garrafa, fizemos uma harmonização. Pato na Laranja, com dicas de preparo do meu amigo Edu Passarelli, mas quem executou o prato foi minha mãe, com risoto de Brie e damasco, receita domínio público e quem executou foi eu, também cozinho de vez em quando.

A Helles na garrafa esta filtrada, diferente do chope que é vendido sem filtrar, mas as características dela só ressaltaram, ficou um pouco mais leve, mas o malte e o lúpulo equilibraram mais, bom, sou suspeito pra falar desta cerveja, mas beberia ela todos os dias, que delícia.

O prato harmonizou com a cerveja, o Brie deu uma cremosidade legal, e o damasco um doce, cítrico, o pato tem uma carne mais marcante, mas o doce do molho de laranja suavizou, a Helles tem um corpo e amargor suficientes pra encarar o prato.

A harmonização da cerveja com pratos é mais uma das opções que a bebida nos oferece, mas não podemos esquecer que a cerveja é uma bebida alegre, descontraída e enzima pra amizades.

As fotos são do fotógrafo amador Luiz Bazzo.

sábado, 11 de setembro de 2010

Audio do 2º programa De Bamberg à Votorantim.

Ontem foi ao ar o segundo programa De Bamberg a Votorantim, o assunto foi história da cerveja.
Enquanto nosso logo pro programa esta sendo criado, pra ouvir você clica aqui.

sábado, 4 de setembro de 2010

De Bamberg a Votorantim - Audio do 1º Programa.

Como disse no post anterior segue aqui o audio do primeiro programa "De Bamberg a Votorantim", neste é uma apresentação e um resumo do que falaremos, no segundo programa falarei sobre a história da cerveja.

Aguardo as sugestões de vocês, assim iremos fazendo os programas juntos.

Clique aqui: De Bamberg a Votorantim programa 1

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

De Bamberg a Votorantim.

Hoje estréia na rádio USP o programa De Bamberg a Votorantim, idéia do meu amigo Fábio Rubira, onde eu falarei sobre cultura cervejeira, abordando sempre temas relacionados ao mundo cervejeiro, como, história da cerveja, estilos, curiosidades, etc.

Neste primeiro programa será uma apresentação e uma breve história do que iremos conversar.

É a cerveja de qualidade cada vez mais atingindo uma gama maior da população, sempre passando a mensagem de beber menos, mas com qualidade maior.

Pra quem quiser escutar ao vivo o programa Áudio Papo, onde acontecerá o programa De Bamberg a Votorantim, passa as sextas-feiras das 20:30h as 22:00h, a rádio Usp em São Paulo é FM 93,7 MHz, em Ribeirão Preto é FM 107,9 MHz ou pelo site http://www.radio.usp.br/.

Obrigado a Rádio Usp e ao Fábio por nos dar esta oportunidade de falar de forma responsável sobre cerveja para um público excelente.
Toda semana eu colocarei o áudio do programa no Blog.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A vez da cerveja Helles.


Bamberg Helles.

Já contei a história, mostrei o rótulo, mas agora vamos falar de como ficou a Helles.

O objetivo inicial dela foi mostrar o que temos de bom na Bavária, maltes de excelente qualidade e lúpulos de Hallertauer. Nesta cerveja utilizei 3 tipos de maltes, um deles da Agrária e dois da Weyermann, e 2 tipos de lúpulos, ambos de Hallertauer.

Mas a grande estrela que nos proporcionou um resultado surpreendente foi o fermento, uma cepa especial vinda da Bavária.

Eu resumiria esta cerveja em complexidade e sutileza, eu gosto de beber Helles em canecas de 1 litro e esta me permitirá fazer isto.

O chope virá sem filtrar neste primeiro momento, depois de filtrada, a cerveja em garrafa ganhará mais em malte e o lúpulo diminuirá um pouco, devido ao malte.

Bom, espero que vocês gostem, pois é um dos meus estilos preferidos e fazem 2 anos que trabalho mentalmente nesta receita.

O que temos no copo:

Aroma: A presença do lúpulo de Hallertauer é nítido no aroma, mas também vem forte com o caramelo e pão, provenientes do malte.

Aparência: Amarelo escuro, com boa formação de espuma.

Sabor: O que percebemos de forma mais forte é a presença do malte, na forma de pão, cereal, caramelo, mas o lúpulo vem no final terminando um pouco seco, com o intuito de equilibrar com a doçura do malte.

Sensação na boca: Corpo médio, carbonatação média.

Impressão geral: A marca registrada do estilo Helles é presença marcante de malte, mas também o lúpulo aparece sempre de forma a equilibrar o conjunto, devido o longo tempo de maturação a cerveja ganha uma suavidade e textura na boca, mostrando que delicadeza e suavidade não é sinal de falta de complexidade, pelo contrário.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O rótulo da Bamberg Helles

Como todos os nossos rótulos este também foi feito pelo André Clemente, a idéia é usar as cores e a bandeira da Bavária, estado alemão, onde a Helles nasceu, portanto notamos a massiva presença de azul e branco.
Outro rótulo da Bamberg que utiliza as mesmas cores e pelos mesmos motivos é o da Weizen, porém André usou sua experiência e habilidade para que eles ficassem diferentes e não confundisse o consumidor.
Só para lembrar a todos este final de semana, 28/08, faremos o pré lançamento da cerveja no 4º Pratos e Brejas, teremos chope Helles, as garrafas chegarão no mercado na segunda semana de setembro, será filtrada e teremos ela em linha o ano todo.
Espero que vocês gostem do rótulo e da cerveja.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Que canseira.

O processo de utilização da madeira na indústria cervejeira é muito delicado dentro de uma cervejaria moderna. Com esta técnica invariavelmente o cervejeiro introduz no processo microorganismos indesejáveis a produção de cerveja tradicional, já que a cerveja dentro do barril de madeira acaba exposta a eles. Além disso, a madeira é uma barreira não muito eficiente para evitar a entrada de oxigênio, e com isso deve-se levar em conta o processo de oxidação. Como se não bastasse, a temperatura do ambiente em que esta armazenado e a lupulagem da cerveja também influencia no crescimento microbiológico do meio e consequentemente no produto final. Superar estas dificuldades só vale a pena por que o resultado de uma cerveja que passa por madeira é normalmente bastante diferenciado e surpreendente!

Estilos de cerveja conhecidos, como por exemplo, Barley Wine, Weizenbock, Imperial Stout e Indian Pale, na maioria das vezes com alto teor alcoólico, entre de 7% a 12% por volume, adquirem com primor as características de madeira utilizada.

A cerveja que passa por madeira deve apresentar como característica predominante os aromas e sabores do estilo base, com notas da própria madeira ou, se o barril foi utilizado anteriormente por alguma bebida alcoólica, notas desta bebida, mas sempre sem predominar. A cerveja pode ser envasada diretamente do barril para a garrafa, com refermentação ou não, ou ainda misturando-a com cerveja jovem para amenizar os efeitos da madeira. O período de maturação varia de 3 meses a 5 anos.

Outro caminho é utilizar um estilo que tenha como pré-requisito a fermentação e/ou a maturação em barris de madeira, como é o caso das belgas Lambic, Oud Bruin, e Flanders. Não se faz estes estilos sem a longa fermentação e maturação nos barris de madeira, por volta de 3 a 5 anos, sem adicionar fermento, ou seja utiliza-se a própria microflora da cervejaria e dos barris, ambiente que favorece a ação dos microorganismos Saccharomyces, Brettanomyces, Pediococcus e Lactobacillus, mais comuns na produção cervejeira.

Os aromas e sabores podem vir da transformação da lignina presente na madeira em vanilina com o passar dos meses, e por isso que é comum ao degustador perceber notas de baunilha, coco queimado, café, e claro, madeira. Por ser porosa a madeira abriga muitos microorganismos, que vivem nela naturalmente, contribuindo para dar a cerveja toques de acidez, rusticidade, sabores de couro, mofo, estábulo, sendo que estes últimos, apesar de soarem estranhos, podem ser muito benéficos para cerveja. Outro componente importante é a oxidação, muitas vezes reconhecida pelo gosto de papelão que ela confere a cerveja comum. Porém, no caso das maturadas em madeiras, a oxidação se transforma em notas de cerejas, ameixas, frutas vermelhas, banana passa, etc.

Agora imagine toda esta complexidade somada aos ingredientes, malte, lúpulo e levedura. Fantástico!

Pois é, pena que todo o estudo que eu já fiz e continuo fazendo sobre produção de cervejas em barris de madeiras não possa ser colocado em prática, pois não pode, simplesmente é esta a resposta.

O que pode? A cerveja fabricada com arroz, milho, açúcar, antioxidantes, antiespumantes, corantes, enzimas, conservadores de espumas e um tempo recorde de produção de 5 dias, sem gosto, sem cor, sem aroma, mas estupidamente gelada. Eu não quero fazer isso.

Ah, cerveja com frutas, condimentos, outras ervas, tudo isso também não pode, na verdade fazer cerveja não pode.

Já que eu sou obrigado a assistir 50 minutos de horário político OBRIGATÓRIO, qual a proposta dos candidatos para as microcervejarias que querem ter em sua gama de produtos mais de 30 estilos de cervejas, aumentando o emprego, gerando turismo e notícia boa para a sua região e seu país?

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Burton upon Trent.

Famoso Rio Trent.


Algumas cidades no mundo são privilegiadas por terem aroma de mosto de cerveja no ar, Bamberg é uma delas, logo ao sair da estação de trem sentimos cheiro de malte da Weyermann e mosto da Spezial e Faesla. Outra cidade que me impressionou com a presença de cerveja em seu cotidiano foi Burton upon Trent, logo na saída da estação o aroma de mosto cozinhando já toma conta da atmosfera, a duas horas de Londres, na direção noroeste esta pequena cidade tem seu nome marcado na história da humanidade.

No Passado ela foi um dos maiores pólos cervejeiros do mundo, foi graças a sua água com alto teor de dureza que surgiu o estilo Indian Pale Ale, este que atualmente não aparece com muita freqüência nos pubs da cidade, o que domina por lá são as tradicionais Pale Ale servidas no sistema Cask Ale.

Além das cervejas e da beleza da cidade, que é pequena e aconchegante, com uma população muito simpática, o principal motivo que me levou até ela era pra conhecer um método de fermentação que só existe em uma cervejaria no mundo e é lá, o Burton Union System.

Este método foi comum no passado, porém, com o desenvolvimento das tecnologias da industria cervejeira ele foi abandonado, mas na Marston's, uma de suas cervejas ainda é produzida pelo B.U.S., é a Pedigree, uma pale ale que é vendida apenas na cidade e em chope, servida pelo método Cask Ale, uma pena não existir esta cerveja em garrafas.
Burton Union System.

No Burton Union System a cerveja é fermentada em barris de madeira e durante a fermentação a espuma sai por um cano em cima do barril e é coletada pra ser inoculada em outra produção, tudo isto acontece dentro de um grande barracão e a quantidade de fermento é enorme.

Momentos como este faz com que você se sinta de volta a anos atrás, e também paramos para pensar o que a tecnologia fez pra melhorar a qualidade ou aumentar a produção apenas.

E a cerveja é boa? Sim, é uma Pale Ale tradicional britânica, onde você só poderá bebe-la na cidade onde ela nasceu e da forma com que ela vem sendo fabricada a séculos, historicamente uma experiência imperdível.
Burton Bridge.

Uma outra cervejaria menor e mais artesanal é a Burton Bridge, esta possui um pub na frente da fábrica onde a população mais tradicionalista da cidade prefere beber suas Ales, a cerveja é a melhor da cidade, o ambiente agradável, onde rapidamente fizemos amizades e nesta viajem descobri que a forma mais fácil de se arrumar amigos em um pub é dizer: I’m Brewer.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Bamberg Helles.

Meu restaurante preferido em Munich.

Às nove horas da manhã na Bavária é conhecida como Brotzeit, isto é, hora do pão, os trabalhadores das fábricas, escritórios e população em geral fazem um rápido intervalo, é hora da Helles.

Na cidade de Bamberg, nesta hora da manhã, todos os pubs históricos já estão abertos e várias pessoas matam suas cedes com Helles, o pão líquido da Bavária, pois nesta região do mundo a cerveja faz parte da dieta da população e das suas experiências gastronômicas. Quando uma pessoa pede uma cerveja em Bamberg 90% dos casos esta é uma Helles, toda cervejaria tem sua interpretação de um estilo de cerveja que muitas vezes tem a receita com poucos tipos de maltes, um lúpulo e fermento, mas a sutiliza, o equilíbrio e séculos de história fazem com que ela seja diferente pra cada cervejeiro que a produz. Algumas pessoas têm sua marca de Helles favorita, algo como um time de futebol, onde ele beberá na cervejaria de seu bairro, sorte nossa que vamos de bairro em bairro experimentando diferentes Helles..
Brotzeit em Andechs.

Talvez seja a cerveja mais técnica de se produzir, temos que conferir complexidade, sem perder a delicadeza da cerveja, os processos de brassagem, fermentação e maturação, influenciam muito no produto final, na sua composição podemos dizer que precisamos de água, malte, lúpulo, fermento, muita técnica e paciência pra deixar o tempo agir no produto.

Além disso, é uma cerveja de fundamental importância para a humanidade, pois era bebendo Helles que reuniões políticas aconteciam em Munich durante as décadas de 20, 30 e 40, muitos filósofos passaram pelas cervejarias desta cidade e sentaram nas grandes mesas típicas da região e puderam desenvolver suas teorias sobre a humanidade.

Esta sem dúvida foi a primeira Lager produzida na humanidade, antes da Pilsen ser feita na cidade de mesmo nome.

Por tudo isto e como muitas vezes eu já esperei dar nove horas da manhã pra que algum pub em Bamberg abrisse pra que eu pudesse tomar meu café da manhã com Helles, este sempre foi um estilo que me atraiu e por dois anos eu trabalhei mentalmente e matematicamente na receita da Bamberg Helles e desde o dia 23 de julho, dia que fiz o primeiro cozimento dela, venho fazendo meu Brotzei, reservo às 9h pra experimentá-la, claro que até hoje ela estava fermentando, longe de seu caráter final, mas é uma alegria poder imaginar que em um mês teremos nossa cerveja símbolo da Bavária, pra poder bebê-la em canecas de um litro.

Então, amigos vamos aguardar mais um mês para que ela se transforme na Bamberg Helles.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Rauchbier, mais um prêmio internacional.

Acabo de saber que a Bamberg Rauchbier foi eleita a World's Best Flavoured Lager, quando inscrevi esta cerveja no World Beer Awards sabia que seria muito difícil ela ganhar, pois como o próprio nome da categoria diz, ela não compete apenas com cervejas defumadas, mas também com outros estilo de Lagers que possui é "flavored", mas ela ganhou, além de ser a melhor do mundo no estilo, também foi eleita a melhor das Américas, The Americas' Best Flavoured Lager, pois ela passou numa eliminatória nos EUA antes de competir na fase mundial.

O World Beer Awards acontece na Inglaterra, mas como disse, nossa cerveja passou por uma fase eliminatória nos EUA, por isso, ela viajou muito até chegar lá, foram mais de 500 cervejas vinda de 27 países.

Mais uma vez divido este prêmio com minha família, Luiz, Magda, Lucas, Thiago e Janaína, com a equipe da Bamberg, Luciana, Noemi, Fábio, Alberto, Marcão, Marcos, Ede e Reinaldo, e com todos os meus amigos que torcem pela Bamberg tão quanto eu.

Obrigado a todos, pois é impossível fazer cerveja sozinho.

Abaixo coloco algumas datas importantes para nós:

18/12/2005
Primeiro cozimento. Foram feitas duas bateladas de mil litros para encher nosso primeiro tanque de cerveja Pilsen, que foi vendido sem filtrar.

27/07/2007
A Bamberg começava a mostrar ousadia em suas cervejas, a primeira Altbier fabricada no Brasil, com muito amargor, como pede a tradicional cerveja de Dusseldorf.

01/05/2008
Chegava nas bancas o Jornal O Estado de São Paulo, que trazia no caderno Paladar a Bamberg Pilsen eleita como a Melhor Pilsen artesanal do Brasil.

15/01/2009
Foi produzida neste dia a primeira cerveja fabricada no Brasil que passou por um processo de maturação em barris de carvalho, Biertruppe Vintage Nº1.

18/11/2009
A Bamberg Rauchbier ganha medalha de prata no European Beer Star 2009 na categoria Smoked Beer.

25/11/2009
As cervejarias Bamberg, Falke e Colorado, são homenageadas no Prêmio Paladar 2009 como produto do ano: Cerveja Artesanal.

13/01/2010
Colocamos em garrafas de espumante o primeiro lote de cerveja fabricado no Brasil, com refermentação de fermento de Champagne.

08/02/2010
Chega as bancas a revista Prazeres da Mesa, onde a Bamberg Rauchbier foi eleita a segunda melhor cerveja disponível a venda no Brasil, entre nacionais e importadas, dentre todos os estilos.

15/03/2010
Sai o livro 1001 Beers you must taste before you die, onde uma das cervejas citada é a Bamberg Rauchbier.

21/05/2010
A Bamberg Rauchbier ganha medalha de prata, a München e a Schwarzibier ganham medalha de bronze no Australian International.

28/07/2010
A Bamberg Rauch Beer ganha dois prêmios no World Beer Awards na Inglaterra, World's Best Flavoured Lager e The Americas' Best Flavoured Lager.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Aos vencedores, os prêmios!

Depois de uma tarde de sábado julgando as cervejas, chegamos ao resultado final. A cerveja ganhadora teve larga vantagem de pontos sobre a segunda colocada, porém ambas sobressaíram muito sobre as demais colocadas, acredito que a primeira levou melhor pois estava mais inserida dentro do estilo ESB e principalmente não tinha defeitos de fabricação, a segunda colocada agradou quase todos os jurados, mas também nos deixou em dúvida quanto a sua lupulagem excessivamente marcante no aroma, lembrando lúpulos americanos, vale dizer que a cerveja estava uma delícia.

Com os troféus: Paulo, Guilherme e Alex.

1º: Guilherme Alberici de Santi, cerveja DeSanti, Campinas, 128 pontos;

2º: Paulo Cristiano Ferro, cerveja Scandinava ESB, Mogi Mirim, 113,5 pontos;

3º: Alex Wirz Vieira, cerveja ESBoldo, São Paulo, 100 pontos.

4º: Daniel Guandalini, Campinas;

5º: Marcos Arnus, São Paulo;

6º: Guilherme Baldin, São Paulo;

7º: Flavio Annicchino, Indaiatuba;

8º: Philip Zanello, Araraquara.

De todas as cervejas analisadas percebemos apenas duas fora do estilo, uma esta muito escura e outra com características de cerveja belga, isto é muito legal, pois nosso objetivo foi alcançado, fazer com que os competidores estudassem sobre o estilo ESB, este que ainda é pouco difundido.

Durante a festa no domingo fizemos uma homenagem a três cervejeiros caseiros que começaram a difundir, através de palestras, cursos, eventos, blogs e cervejas, a prática de fazer cerveja em casa, foi através deles que tive o prímeiro contato com o mundo da cerveja caseira. Os ganhadores do prêmio Wilhelm IV 2010 foram meu amigos:

Leonardo Botto;
Mauro Nogueira;
Ricardo Rosa.

Obrigado pelos seus serviços prestados a cultura cervejeira do Brasil.
Botto, Maurinho, Ricardo.(Foto: Mauricio Beltrameli).
Quanto a festa de ontem só tenho a agradecer a Acerva Paulista, O2 e Bamberg que organizaram o evento, a todos que enviaram cervejas pro festival e pra competição, aos que compraram convites, aos patrocinadores, LS Etiquetas, A Turma (Afonsão), Bierboxx, Tarantino; aos apoiadores Brejas, Prefeitura de Votorantim, Colorado e Falke, a toda a imprensa que trabalhou no final de semana, ao Marcos que com sua equipe preparou a melhor costela fogo de chão, aos jurados que deixaram compromissos para vir nos ajudar, acho que não esqueci de ninguém.

Deu tudo certo, comida excelente, mais de 1000 litros de cervejas caseiras e artesanais, música boa, uma reunião de amigos onde todo mundo se divertiu, foram 250 pessoas, vindas de várias cidades dos estados de São Paulo, Rio, Santa Catarina, Belo Horizonte e Bahia, nenhuma confusão, ninguém passou do limite, isto é difundir a cultura cervejeira. 

Não tenho dúvida, estamos construindo uma nova história para a cerveja brasileira. Ano que vem tem mais.


Chopeiras, churrasco e vista de fora do evento.
Jurados, organização e amigos.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Eis aqui os bravos combatentes!

Abaixo coloco a lista dos participantes que enviaram as suas cervejas para serem avaliadas, foram 47 inscritos, porém, 31 cervejas chegaram até a Bamberg.
A sequência é nome do participante, nome da cerveja e cidade, porém alguns não colocaram o nome na cerveja.

Flavio Annicchino; ESBórnia; Indaiatuba

Hugo Gambini Rocha; Back Yard ESB; Jundiaí

Murilo Alonso Cassis; Magnatas ESB; Presidente Prudente

Philip Zanello; Araraquara

Rudolf Schutzer; ESB vol2 BarbaBier; Sorocaba

Ségio Alexandre Prado Freire; Barba Bier; Sorocaba

Renato Barbosa Pudo; Lúpulo; Mogi das Cruzes

Carlos Alexandre O. Sigolo; São Paulo

Márcio Antônio Biaggio; Lorena; Vargem Grande Paulista

Marco Aurélio Ferreira; Batateira Bitter Ale; São Bernardo do Campo

Leonardo Naves; Villa; Vargem Grande Paulista

Carolina Toledo Diniz; São Paulo

Claudio Paulo da Silva; Piedade

Blas Marçal Sanchez; Venegabeer; São Paulo

Marcos Arnus; Santa Seiva - ESB; São Paulo

Daniel Navarro Betonico; Saint George; Ribeirão Preto

Guilherme Alberici de Santi; Cerveja DeSanti; Campinas

Paulo Cristiano Ferro; Scandinava ESB; Mogi Mirim

Gilberto de Oliveira; Santos

Edwar Bustamante da Fonseca; Mont Serrat ESB; Santos

Flavio Isaac; Harpia; São Carlos

Daniel G. Guandalini; Campinas

Marcelo Henrique; Breda B&R Beer; São Paulo

Paulo Roberto Mioto Jr; Mineirinha Paulista; São Paulo

Guilerme Baldin; São Paulo

Herman Brito; Vinhedo

Deivid Rafael de Oliveira; Dracena

Renato Marquetti Junior; ESB SauberBeer; Mogi Mirim

Marcio Egea Secafin; Bitter Brotas; Brotas

Ian Michael Asquith; São Paulo

Alex Wirz Vieira; Sumaré

Boa sorte a todos e domingo saberemos a grande vencedora.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Brasil Econômico


O Jornalista Luiz Ligabue fez uma matéria muito legal da Bamberg no jornal Brasil Econômico, com um texto gostoso de ler e com pitadas de humor, achei interessante mostrar a todos que não tiveram a oportunidade de ler no jornal impresso.
Obrigado Luiz pela visita e pela matéria.





segunda-feira, 5 de julho de 2010

O Juri.



O julgamento das cervejas que acontecerá no dia 24 de julho no I Concurso Paulista de Cervejas Caseiras, seguira a mesma linha das competições internacionais e das outras edições do concurso nacional, ou seja, será um teste cego, onde os jurados não sabem de quem é a cerveja que estão avaliando.

Além disso, como todos sabem, serão avaliadas cervejas dentro de um mesmo estilo, no nosso caso o ESB, da escola inglesa, onde avaliaremos, aroma, aparência, flavor, sensação na boca e impressão geral, atribuindo notas a cada quesito e a maior soma das notas leva o prêmio.

Para esta árdua tarefa contamos com os maiores especialistas em cervejas no Brasil, todos habituados a avaliar cervejas em competições, muitos deles com experiência internacional, são eles:

Alexsander Schwarz: Mestre cervejeiro da Maltaria Agrária;

Afonso Landini: Pioneiro na fomentação da cerveja caseira no Brasil, com experiência em vários júris de concursos de cervejas caseiras;

André Clemente: Escreve sobre cervejas na coluna Mundo de Espuma da revista Prazeres da Mesa;

Cilene Saorin: Mestre Cervejeira e Bier Sommellier, jurada das maiores competições cervejeiras do mundo;

Eduardo Passarelli: Especialista de cervejas, proprietário do Melograno e do blog Edu Recomenda, colunista da Prazeres da Mesa;

Leonardo Botto: Um dos pioneiros em cerveja caseira no Brasil, professor e especialista na arte de fazer cerveja;

Marcelo Moss:Especialista em estilos de cervejas, com grande experiência em júri de concursos cervejeiros;

Marco Falcone: Proprietário da Falke Bier, um dos maiores incentivadores da cultura cervejeira do Brasil;

Mauro Nogueira: Um dos pioneiros em cerveja caseira no Brasil, professor e especialista na arte;

Mauricio Beltramelli: Proprietário do Bar Brejas e do site Brejas;

Paulo Bettiol: Nosso querido Feijão, proprietário do portal Obiercevando;

Roberto Fonseca: Escreve no caderno Paladar do Estadão sobre cervejas e tem o Blog do Bob;

Vilmar Schussler: Mestre cervejeiro da Maltaria Agrária;

Ronaldo Morado: Escritor do Larousse da Cerveja e outros livros sobre cervejas que virão;

Marcelo Carneiro: Proprietário da cervejaria Colorado, um dos maiores incentivadores da cultura cervejeira do Brasil;

Ricardo Rosa: Um dos pioneiros em cerveja caseira no Brasil, estudioso, professor e especialista em cervejas;

Alexandre Bazzo: Eu.

Gostaria de agradecer a todos os jurados que aceitaram participar do concurso, não tenho dúvida que eles passam credibilidade ao resultado, pois com um time deste até eu queria ter minha cerveja avaliada por eles.

OBS.: To sofrendo com as formatações do blog, não sei o que aconteceu, baixei uma versão nova e estou apanhando dela, por isso, o visual ta feio, mas já me acerto com isso.

Mais informações: I Concurso Paulista de Cervejas Caseiras e Festival de Inverno

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Bamberg Bock 2010.

A história da Bock eu contei o ano passado e para quem não leu vale a pena ver a fantástica trajetória deste estilo de cerveja alemão, clique no "Bock a cerveja de Einbeck".
A Bamberg Bock 2010 vem com uma nova receita, ela virou DoppelBock, resolvi mudá-la de última hora, por isso que é legal fazer a sua própria cerveja, mudei, não avisei ninguém e depois que deu certo comecei a contar para todo mundo, acho que esta é a melhor de todas as Bocks que já fiz, espero que vocês pensem o mesmo.
Porém, não assuste se você ver no rótulo a palavra Bock, pois é assim que esta, e aí é outra de nossas mudanças, o rótulo segue a nova linha feita pelo André Clemente.
As garrafas long neck começam a serem vendidas aqui na Bamberg ou nos nossos parceiros apartir de quinta-feira dia 1 de julho, vale lembrar que esta é uma cerveja sazonal e foi feito apenas um tanquinho.
Após 3 meses de fermentação e maturação a cerveja esta pronta e abaixo passo a minha avaliação sobre ela.



Esta foto é do Ivan, por isso que ta boa.


Aroma: Presença marcante do malte na forma de biscoito, caramelo, pão, açúcar queimado, toffee, além um leve aroma de ameixa, o lúpulo é imperceptível;
Aparência: Marrom escuro com tons avermelhado, espuma consistênte;
Flavor: Ao bebe-la percebe-se a mesma força do malte que notamos no aroma, sobressaindo o açúcar queimado, toffee e frutas secas, porém no final notamos o lúpulo que equilibra com a doçura do malte, o álcool não aparece de forma marcante perigosamente;
Sensação na boca: Corpo mádio-alto, carbonatação média, bastante suave, aquecendo um pouco devido o álcool;
Impressão geral: Como uma bock deve ser o malte é o que confere maior complexidade a cerveja, sendo que o lúpulo apenas entra no contexto para equilibrar um pouco a doçúra do malte e os 8,0% de álcool passa despercebido, por isso cuidado.

OBS.: Cerveja do estilo Bock é sempre de baixa fermentação e o mais importante tem que ser puro malte, não vale usar açúcar, como toda cerveja que pertença a um estilo Alemão. Assim é feita a Bamberg Bock seguindo a Lei de Pureza da Bavária.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

World Beer Awards

Depois de uma semana de muito trabalho estou de volta, foram muitos pints, visitas em cervejarias, pubs históricos, feira e júri, nas cidades de Londres, Burton upon Trent e Birmingham, mas vou começar pelo motivo principal de minha viajem.

Fui convidado a ser júri em uma das maiores competições de cervejas do mundo o World Beer Awards, um evento que reúne cervejas do mundo todo e o processo de júri é feito em várias etapas, nesta última etapa que participei nós julgamos as melhores Lager, Pale Ale, Dark Ale, Wheat Beer e Porter/Stout e depois que foi eleita a melhor de cada categoria elegemos qual cerveja era a melhor de todas, um julgamento muito difícil por avaliar cervejas de estilos diferentes.

Na sexta-feira (18/06) dentro de uma gigantesca feira gourmet da Inglaterra a BBC Good Food Show, onde passa 10 mil pessoas por dia, cobertura da BBC e participação dos mais renomados Chefs britânicos, aconteceu o julgamento das cervejas em um espaço chamado Tasting Beer Live, também dentro da feira tínhamos um espaço destinado as cervejas e harmonização de cerveja e comida, um evento fantástico da gastronomia que faz falta aqui no Brasil.
Os jurados foram mestres cervejeiros vindos do Reino Unido, Republica Tcheca, EUA e Brasil (eu), totalizando 20 pessoas, eu julguei Wheat Beer, Porter/Stout e Dark Ale, foi uma experiência muito legal, além das cervejas serem muito boas.


Os resultados saem no final de julho, portanto teremos que esperar até lá pra saber os vencedores.
Escreverei em breve sobre as visitas cervejeiras nas outras cidades inglesas que fui, mas de ante mão gostaria de agradecer meu amigo e especialista em cervejas Andy que nos recebeu muito bem em Londres, sem ele teria aprendido muito menos sobre cervejas inglesas.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Vamos juntos, vamos...

Nos últimos 50 anos muitas coisas mudaram no mundo, tivemos um avanço tecnológico fantástico, regimes políticos mudaram, começamos ver uma revolução mundial da cerveja artesanal e muitas outras coisas, porém uma coisa continua a mesma, a hegemonia do Brasil no futebol.

Tudo bem, perdemos algumas Copas, ganhamos cinco, mas o mundo todo reconhece que ninguém nos supera no que diz respeito à quantidade e qualidade de jogadores de futebol. Vejo alguns especialistas criticando o nosso time, dando como favoritos, Espanha, Argentina, Alemanha, mas pondo dúvidas no Brasil.

A Bamberg como uma cervejaria brasileira acredita na nossa seleção, eu como brasileiro também acredito, não é o time que eu levaria, mas estamos bem representados e com certeza chegaremos até o final da competição. Precisamos começar a cultura de valorizar o que temos de bom, isso serve para a cerveja, pois é o que eu vivo, temos cervejas nacionais que competem de igual pra igual com qualquer cerveja do mundo, mas muitas vezes aqui no nosso país não são colocadas no mesmo patamar, consumir produto regional é comum em vários países, mas para nós uma a palavra importado significa sempre coisa boa, já compramos vinho branco que no país de origem ninguém bebia, mas aqui fez sucesso, entre outras coisas.

Vamos aproveitar o clima de Copa para valorizar mais nossas cervejas, beba cerveja brasileira, mas não se engane com marcas que se dizem brasileiras, mas na verdade só usam nosso país para ganhar dinheiro e mandar para a sua origem, a Bamberg é uma cervejaria 100% brasileira, os donos são brasileiros e fabricamos cerveja brasileira de qualidade.

Boa Copa a todos e espero que possamos comemorar o Hexa.