terça-feira, 18 de agosto de 2009

A cerveja da Francônia

Na Francônia podemos dizer que eles possuem um estilo de cerveja próprio, a Ungespundbier, esta cerveja pode ser bebida em quase todas as cervejarias e seus pubs, algumas vezes também chamada de Kellerbier.

Ungespund significa que a cerveja não foi pressurizada enquanto estava no tanque, por isso ela possui apenas a carbonatação natural que incorporou ao líquido durante a fermentação, enquanto uma cerveja normal possui em torno de 0,5 g/L ela possui apenas 0,3 g/L; se a cervejaria seguir a tradição matura em barris de madeira, porém como é feito um tratamento na parede interna do barril, este não confere gosto de madeira à cerveja, são servidas no próprio barril sem pressurizá-lo com gás carbônico, apenas pela gravidade.




Visual: A cerveja possui uma coloração âmbar, e com espuma consistente, apesar da baixa carbonatação.
Aroma: o malte é marcante, porém é um dos poucos estilos alemães que possui boa presença de lúpulo aromático, normalmente floral.
Sabor: mais uma vez é nítido a presença de malte munich, viena e caramunich, depende da marca, o amargor é marcante, eu chutaria por volta de 30IBU, o necessário para equilibrar a doçura do malte.
Sensação na boca: Corpo médio e carbonatação baixa, claro.

Este estilo de cerveja demonstra como é possível fazer uma cerveja fácil de beber e muito complexa nos aromas e sabores.

Conversando com alguns mestres cervejeiros da região eles me disseram que a Ungespundbier não é a cerveja que mais vende nos pubs, ela perde para a Pilsen e algumas vezes para a Weizen também.

Acho que a lição maior dela é o quanto a Francônia protege suas cervejas, a ponto de manter uma tradição e levar a diante um processo de fabricação, que ao longo dos anos, tornou-se um estilo de cerveja. É assim que surgem os estilos, partem sempre dos cervejeiros que representam uma determinada região e seus processos de fabricação.

Típico Bier Garten

6 comentários:

Rodrigo Brasil disse...

Alexandre, que delícia de viagem hein... estar no berço de ótimas cervejas, aprendendo e visitando bier gartens..

O mais próximo disso pra mim será a oktober desse ano, em blumenau, mas com certeza vai ser excelente.

Abraços!

Edu Passarelli disse...

Ale,

A Hacker-Pschorr seria um exemplo de kellerbier?

Abraço

Alexandre Bamberg disse...

Rodrigo,

Eu to até agora tentando convencer todo mundo que eu tava trabalhando lá.

Abraço

Alexandre Bamberg disse...

Edu,

No meu ponto de vista a Hacker-Pschorr não se enquadra como uma Ungespundbier (Kellerbier), ela não é filtrada, mas a carbonatação é normal e não tem tanto lúpulo como as da Francônia, duas caracteristicas marcantes das Ungespundbier. Mas é comum algumas cervejarias chamarem suas cervejas não filtrada de Kellerbier, por isso que o nome mais adequada para as cervejas da Francônia é Ungespundbier, e é o que eles mais utilizam.

Abraço

Navarro disse...

Alexandre, essa técnica de maturar na madeira tem algo que me lembra a próxima cerveja da Bier Truppe.

Uma dúvida. Com pouca carbonatação a cerveja não fica sem corpo?

Alexandre Bamberg disse...

Daniel, td bem

Na verdade o que nós estamos querendo com nossa vintage é que ela pegue os aromas e sabores da madeira do barril, o que não é o caso deles na Francônia, eles passam um negócio preto dentro do barril que não deixa a madeira passar aromas e sabores a cerveja.

Quanto ao corpo, eu acho a Ungespundbier com corpo médio, a carbonatação alta as vezes da a sensação de corpo, preechimento, como são as weizes, mas neste caso a baixa carbonatação faz com que os outros ingredientes apareçam mais.

Abraço